domingo, 22 de agosto de 2010

"Vaginas emocionadas": "A Nova mulher e a moral sexual"

O título deste texto foi retirado de uma música do grupo O Quadro, (grupo de Ilhéus muito bom), e do nome de um livro da autora Alexandra Kolontai(o qual iniciei a leitura hoje) . Nesse texto falarei da mulher emancipada, dona do seu corpo, da mulher livre que não se prende a valores e pudores ultrapassados e machistas.
Fico observando a forma que os homens e mulheres (por coerção), referem-se à questão sexual feminina, frases como, “ela da pra todo mundo”, são ditas diariamente de forma naturalizada, e nós mulheres não sistematizamos isso, ao contrário, ajudamos a reproduzi-las. Um dia desses estava conversando com uma amiga, e ela me contou sobre um ocorrido. Disse-me de forma repressora que uma mulher, conhecida nossa, tinha feito sexo oral em um homem no primeiro encontro, e esse homem comentou para uma pessoa, que falou para outra e assim foi reproduzindo essa informação que não deveria ser do interesse de ninguém. Minha amiga falou: “Isso é feio para uma mulher”, argumentando que a mulher estava errada em praticar tal ato, eu argumentei que o homem era o errado já que a intimidade sexual como diz o nome, é íntima, e a mulher é dona do seu corpo, seguimos discutindo sobre a sexualidade alheia por alguns minutos, e isso me instigou, durante dias fiquei me perguntando sobre a moral sexual da mulher, perguntando-me de que forma trato meu corpo diante dessa sociedade machista que dita regras, que ao serem transgredidas trazem reflexos cruéis, julgamentos como esse, que diz que uma mulher não pode fazer sexo oral em um homem no primeiro encontro, mesmo estando com vontade, que é considerada fácil, “vagabunda”, “puta”, “piranha”, entre outros adjetivos mais agressores. Diante disso, trago questões a serem discutidas e repensadas. Será que a nova mulher, essa mulher moderna emancipada, não tem direito de fazer o que bem entende com o seu corpo? Tem que pensar qual à hora de fazer o sexo oral, anal ou vaginal por conta de um julgamento, e não por vontade? Onde estão os direitos iguais? Eles são validos só na hora de dividir a conta do bar e do motel?
Nós mulheres devemos nos unir em prol de uma liberdade plena, não podemos ser feministas só quando nos convém, porque está na moda militar. O sexo também é uma forma de cabresto, de dominação, homens podem tudo, mulheres só podem o que os homens determinam como dentro dos patrões da moral e dos bons costumes. Músicas explicitando o órgão sexual da mulher, são feitas todos os dias, mandam descer, mandam subir, mandam ralar, bater, lamber, chupar, enfiar, e quanto queremos autonomia para usar um corpo que é descrito tantas vezes de forma pejorativa não podemos, os que mandam descer, ralar e mexer, são os mesmo que reprimem de forma coercitiva a mulher, fazendo com que mulheres se reprimam em função de um moral ultrapassada.

PS: Mulherada andem sempre com uma camisinha na bolsa ou no bolso, nunca sabemos quando iremos precisar de uma.
Força feminina!

Saudações Aquilombadas!

6 comentários:

Fabio Emecê disse...

É interessante perceber que umas das formas de opressão do ser humano é através da sexualidade.... Legal o texto!!!

Lorena Morais disse...

Gostei da colocação. Uma vez um amigo me falou que ter desejos não é ser puta. Refleti muito e seu texto provoca essa mesma reflexão, de que a mulher é dona de seu corpo. Então por que reprimir esses desejos?
Necessitamos quebrar esses ideais machitas que ainda perduram.

Elódia Gramacho disse...

Muito bom esse texto Gisa!
Isso aí... nada de falso moralismo. O corpo é nosso e a vontade também. A única coisa que temos que nos preocupar é o tipo de homem (e mulher) que iremos nos relacionar. Fora machistas!
Adorei!!!!!!

Diego_Seudi disse...

Ai Gisa,deu a versao!!
o cara q eh um mané..."intimidade eh coisa intima!"
basta de machismo!!!
salve!bjao

Alguem louco disse...

Isso sim é um bom processo de desconstrução ou de reafirmação. Estava sem tempo de ir dar uma olhada no blog... ate que no sábado encontrei Gisa e disse que iria passar pra dar uma olhada. E infelizmente ou felizmente m deparo com algo que tem m tirado um sono. Ultimamente tenho pensando, observado , olhado.... etc.... o que chamamos de emancipação sexual ( não estou aqui querendo entra em relações de gênero ) quero limitar o olhar a tal pratica sexual. Como tem ocorrido? Quando? e de que forma? Quem são os vulneráveis ? E uma outra e talvez a mas desgraçada, é que, AS MENINAS são as maiores vitimas nesse mosaico de opressão. Elas iniciam a” vida sexual “cada dia mais cedo. De formas mais equivocadas, sem qualquer pertencimento sobre seu corpo, sem conhecer o próprio corpo. E os homens por sua vez utilizam disso muito bem. Em beneficio próprio. Usam e abusam da vagina alheia. Se lambuzam. E depois tira seu pênis de campo. E o que fica, pós esse ato ? Um mero objeto sexual, uma gravidez, Cancro Duro (Sífilis), Cancro Mole, Candidíase, Herpes Simples Genital, Gonorréia, Condiloma acuminado/HPV
, Linfogranuloma Venéreo, Granuloma Inguinal, Pediculose do púbis, Hepatite B, AIDS, Infecção por clamídia, , Infecção por trichomonas, Infecção por ureaplasma, Infecção por gardnerella
Molusco Contagioso....


E ai, essa liberdade que vejo tem consequências gritantes. Penso que todos e todas são livre para exercer sua vida sexual. Como convém se esse pudo, sem qualquer conservadorismo machista. Onde os homens podem comer todas que é o garrão e ela quando faz a mesma é estigmatizada da PUTA....

as escola tem que trabalhar urgentemente sexualidade. De uma outra forma, com uma outra logica... sem esse concepção machista e homofobica. Ou iremos ver nossas jovens sendo objeto sexual dos HOMENS. Porque é infelizmente isso que ocorre na minha comunidade! As menina nem sabem usar o clítoris


vamos que vamos.
Axé
ismael silva

Alane Reis disse...

Êah Gisa, ótimo texto. Concordo em grau, número e gênero (PRINCIPALMENTE EM GÊNERO, rsrs). O fato é que nós enquanto mulheres emancipadas temos que internalizar e externalizar essa liberdade sexual nos foi negada, e tomar cuidado pra não reproduzir esses discursos discriminatórios tipo "Oh pra Fulaninha, que puta, dá pra todo mundo". Cada um@ faz o que quiser com o proprio corpo. Não que eu concorde com a efemeridade e a vulgarização do sexo que nossa geração vem praticando, mas que mdita o meu estilo de vida sou eu, quem dita o seu é você, e o diabo a quatro... Liberdade só se for integral, na cabeça, no coração e na vagona também!!!

http://doquequiserfalar.blogspot.com/

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