Olhares e sorrisos, mais olhares e mais sorrisos
Aproximação, timidez, desejo
Palavras, palavras... Soltas palavras
Lançadas para um fim
Seduzir...!
Num impulso, num rompante
Tocam-se!
A pele, a boca, os gestos
De forma “mal intencionada”
Misturados num jogo de troca
Onde o que menos importa é a lucidez
Loucos, mansos, risonhos, maliciosos
Abraçados, envolvendo-se num calor mútuo...
Os lábios nos lábios
Molhados, carnosos, suculentos
Mãos a correr leve como pluma
Percorre...
Cintura, seio, nuca, cabelo...
Puxões!
Nesses crespos cabelos longos
Arrepios, gemidos, suor...
Língua a deslizar
Numa estrada
Onde o asfalta é feito de pele
E as curvas
Levam a lugares provocantes
Êxtase, arrebatamento, fascínio
Corpos colados, aquecidos e suados
Buscam satisfação condicional
Dentro, um do outro
Acesos, raivosos, delirantes, desvairados
Suspiros, gemidos, alucinações
Anseio de mais, apetite pra tudo
Por fim
O gozo, a calma, a alma nua...
Nua como os corpos unidos
A serenar...
Por Nega Gisa
quinta-feira, 27 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
Se assuma, ser negona é massa: O cabelo como "demarcação racial"
Por: *Nega Gisa*
Saudações Aquilombadas!
É com propriedade que escrevo essa postagem, tenho vivido um dilema terrível, no decorrer desse texto irei expô-lo. O cabelo, símbolo de poder para muitas mulheres, reconhecido como tal por muitos homens, é objeto de “demarcação racial”. A dinâmica social em torno do cabelo se estabelece ainda hoje de forma racista, preconceituosa, como diversas outras. Tem-se a pele escura e cabelos encaracolados ou lisos, a mulher é considerada tudo, menos negra, denominam-a de cabo verde, moreninha, cor de jambo, cor de formiga (como eu era chamada na minha infância), dentre outras. Se a pele for clara, e os cabelos crespos, logo é denominada de negra, sarará, como dizem: “Ela é mais negra que qualquer negro de pele escura, pois ela tem cabelo ruim”.
Dentro dessas perspectivas, onde quem tem o cabelo menos crespo ganha dentro dessa sociedade racista o título de beleza, não é por acaso que salões de beleza vêem se estabelecendo como empresas de grande lucratividade. Não pela famosa chapinha que já trataram de vender a preço baratíssimo, hoje qualquer cidadã tem a oportunidade de adquirir-la. Mas, pelos mega hair, escova progressiva, escova inteligente, que hoje são produtos mais que cobiçados entre diversas mulheres, já ouvir algumas dizerem que se sentem nuas sem mega hair, não abrem mão de ficar nem se quer um dia sem ele. Normalmente os cabelos que as mulheres de cabelos crespos colocam, são cabelos lisos, destoando completamente do cabelo original, contudo não quero aqui dizer que sou contra esse procedimento, de forma alguma, cada um tem o livre arbítrio. Porém, é importante compreender que a causa dessa necessidade de ter cabelos compridos e lisos, não é pelo simples desejo de ficar mais bonita e ponto. Mas sim, ficar mais bonita dentro de padrões estabelecidos.
Vamos a minha vivência. Minha mãe não suporta o meu cabelo, e questiona a todo o tempo a forma que hoje eu o penteio, e diz: “A pessoa tem que ter higiene, arrumar o cabelo”. A falta de higiene para ela é manter um cabelo sem químicas, o chamado cabelo “black”, essa história se repeti em diversas famílias. Já ouvi vários depoimentos de amigas minha sobre essa questão, na entrevista de emprego serem indagadas sobre o cabelo, por conta disso muitas mulheres alisam o cabelo, na tentativa de ser aceita no mercado de trabalho, o que é considerado uma forma de mutilação, já que o cabelo dentro dessa perspectiva abordada é uma questão de afirmação, valorização de uma estética marginalizada pela sociedade, negada, esquecida até hoje pela mídia.
Um dia desses estava assistindo TV, quando passou a propaganda de um produto, a linha do produto se dizia afro, porém, no pote dos produtos estava estampada uma mulher com cabelos lisos. Isso é por acaso? Claro que não, a intenção é impor a estética européia, do cabelinho lisinho, ganhar dinheiro produzindo chapinhas, escovas progressivas, escovas inteligentes, que em minha opinião são escovas burras, já que aprisiona a mulher, quem disse que retocar a raiz do cabelo de mês em mês é inteligência? Não quero que mulheres que alisam os cabelos tenham raiva de mim ao ler esse texto, entretanto, o meu discurso aqui é a favor de uma liberdade estética.
Por isso mulheres, vamos soltar as nossas jubas, ditas rebeldes, assumam os dred looks, coloquem turbantes lindíssimos, vamos esquecer conceitos impostos, não podemos negar que o cabelo enquanto símbolo de poder, se transforma como legitimador do discurso a favor da igualdade racial.
PODER PARA MULHER PRETA!
Dicas:
· Use sempre produtos indicados para seu tipo de cabelo
· Hidrate os cabelos ao menos uma vez por semana
· Lave os cabelos com shampoo de preferência sem sal
· A última enxaguada deve ser sempre com água fria (estimula o brilho dos cabelos)
· Use sacador a 20 centímetros do couro cabeludo
· Evite molhar os cabelos e prendê-los
Saudações Aquilombadas!
É com propriedade que escrevo essa postagem, tenho vivido um dilema terrível, no decorrer desse texto irei expô-lo. O cabelo, símbolo de poder para muitas mulheres, reconhecido como tal por muitos homens, é objeto de “demarcação racial”. A dinâmica social em torno do cabelo se estabelece ainda hoje de forma racista, preconceituosa, como diversas outras. Tem-se a pele escura e cabelos encaracolados ou lisos, a mulher é considerada tudo, menos negra, denominam-a de cabo verde, moreninha, cor de jambo, cor de formiga (como eu era chamada na minha infância), dentre outras. Se a pele for clara, e os cabelos crespos, logo é denominada de negra, sarará, como dizem: “Ela é mais negra que qualquer negro de pele escura, pois ela tem cabelo ruim”.
Dentro dessas perspectivas, onde quem tem o cabelo menos crespo ganha dentro dessa sociedade racista o título de beleza, não é por acaso que salões de beleza vêem se estabelecendo como empresas de grande lucratividade. Não pela famosa chapinha que já trataram de vender a preço baratíssimo, hoje qualquer cidadã tem a oportunidade de adquirir-la. Mas, pelos mega hair, escova progressiva, escova inteligente, que hoje são produtos mais que cobiçados entre diversas mulheres, já ouvir algumas dizerem que se sentem nuas sem mega hair, não abrem mão de ficar nem se quer um dia sem ele. Normalmente os cabelos que as mulheres de cabelos crespos colocam, são cabelos lisos, destoando completamente do cabelo original, contudo não quero aqui dizer que sou contra esse procedimento, de forma alguma, cada um tem o livre arbítrio. Porém, é importante compreender que a causa dessa necessidade de ter cabelos compridos e lisos, não é pelo simples desejo de ficar mais bonita e ponto. Mas sim, ficar mais bonita dentro de padrões estabelecidos.
Vamos a minha vivência. Minha mãe não suporta o meu cabelo, e questiona a todo o tempo a forma que hoje eu o penteio, e diz: “A pessoa tem que ter higiene, arrumar o cabelo”. A falta de higiene para ela é manter um cabelo sem químicas, o chamado cabelo “black”, essa história se repeti em diversas famílias. Já ouvi vários depoimentos de amigas minha sobre essa questão, na entrevista de emprego serem indagadas sobre o cabelo, por conta disso muitas mulheres alisam o cabelo, na tentativa de ser aceita no mercado de trabalho, o que é considerado uma forma de mutilação, já que o cabelo dentro dessa perspectiva abordada é uma questão de afirmação, valorização de uma estética marginalizada pela sociedade, negada, esquecida até hoje pela mídia.
Um dia desses estava assistindo TV, quando passou a propaganda de um produto, a linha do produto se dizia afro, porém, no pote dos produtos estava estampada uma mulher com cabelos lisos. Isso é por acaso? Claro que não, a intenção é impor a estética européia, do cabelinho lisinho, ganhar dinheiro produzindo chapinhas, escovas progressivas, escovas inteligentes, que em minha opinião são escovas burras, já que aprisiona a mulher, quem disse que retocar a raiz do cabelo de mês em mês é inteligência? Não quero que mulheres que alisam os cabelos tenham raiva de mim ao ler esse texto, entretanto, o meu discurso aqui é a favor de uma liberdade estética.
Por isso mulheres, vamos soltar as nossas jubas, ditas rebeldes, assumam os dred looks, coloquem turbantes lindíssimos, vamos esquecer conceitos impostos, não podemos negar que o cabelo enquanto símbolo de poder, se transforma como legitimador do discurso a favor da igualdade racial.
PODER PARA MULHER PRETA!
Dicas:
· Use sempre produtos indicados para seu tipo de cabelo
· Hidrate os cabelos ao menos uma vez por semana
· Lave os cabelos com shampoo de preferência sem sal
· A última enxaguada deve ser sempre com água fria (estimula o brilho dos cabelos)
· Use sacador a 20 centímetros do couro cabeludo
· Evite molhar os cabelos e prendê-los
segunda-feira, 3 de maio de 2010
O mito das Relações inter-raciais...Uma ótica feminina!
Semana passada se construiu um debate que perpassou as salas de aulas na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, onde eu sou discente, e atingiu os corredores e áreas de convivências. O assunto ao qual eu me refiro, é a relação inter-racial, especificamente entre homens negro e mulheres brancas.
A discussão se iniciou, após a apresentação de um trabalho sobre a vida do lendário Malcon X, no decorrer da apresentação foi citado, o relacionamento amoroso de Malcon X com uma mulher branca, isso após ter sido casado com uma mulher negra, a qual esteve do seu lado durante muitos anos de militância. Quem apresentou o trabalho, foi uma mulher, militante das questões de raça e gênero, e ao tocar nessa questão fomentou um debate: a preferência dos homens negros ( mesmo os militantes das questões raciais), por mulheres brancas.
Essa preferência dos homens negros por mulheres brancas ( de preferência loira), é notadamente vista. Na minha adolescente eu me relacionava com uma amiga branca, eramos como irmãs, os homens negros, ( os quais eu tinha e tenho muito admiração), em sua maioria tinham o gosto por minha amiga branca, na época eu não tinha uma posição política sobre o assunto, porém, já naquele momento percebia o quando era valorizada a estética branca, o que me fazia querer embranquecer meus traços negros, para que assim fosse igualmente fonte de cobiças, para que pudesse me sentir realmente bonita a adepta dos padrões.
Os anos se passaram, (já não me embranqueço, ao contrario, realço a beleza dos meus traços negros), e o que vejo hoje, são negros politicamente posicionados, mas, esteticamente aprisionados. Digo isso, por que acompanho cotidianamente,homens rendidos a padrões de beleza impostos, mesmo portando discursos que vão de encontro a essa teoria “embraquecedora”. O pelourinho em Salvador é um palco desse espetáculo burlesco, homens negros preparam-se como se fossem concorrer a um concurso de beleza, vão literalmente ao ataque das “gringas”,essas, vão para o pelourinho como se fosse para um açougue escolher um pedaço de carne, e nesse contexto muitos se tornam isso, um simples pedaço de carne, o interessante é que, nesses casos a estética exigida é apenas a cor da pele (branca), pode ser gorda, magra, alta, baixa, pouco importante, o importante é exibir o “troféu”, elas viram um símbolo de poder, infelizmente gerado através de um processo histórico.
Os homens negros preferem as brancas, os homens brancos preferem as brancas. E onde estão as mulheres negras? Estão trabalhando e cuidando dos filhos como mães solteiras, também, são amantes ridicularizadas pela sociedade , naquela velha história que se retroalimenta, caso-me com a Sinhá, porém, vou na senzala transar com a escrava quente . Não sou contra a relação inter-racial, porém, meus posicionamentos políticos diante de questões como essa, não me deixam enxergar superioridade em uma cor de pele. Se vejo o oposto como o bonito, o perfeito, eu estarei me negando!
MULHER PRETA NO PODER!
Saudações aquilombadas!
*Nega GIsa*
A discussão se iniciou, após a apresentação de um trabalho sobre a vida do lendário Malcon X, no decorrer da apresentação foi citado, o relacionamento amoroso de Malcon X com uma mulher branca, isso após ter sido casado com uma mulher negra, a qual esteve do seu lado durante muitos anos de militância. Quem apresentou o trabalho, foi uma mulher, militante das questões de raça e gênero, e ao tocar nessa questão fomentou um debate: a preferência dos homens negros ( mesmo os militantes das questões raciais), por mulheres brancas.
Essa preferência dos homens negros por mulheres brancas ( de preferência loira), é notadamente vista. Na minha adolescente eu me relacionava com uma amiga branca, eramos como irmãs, os homens negros, ( os quais eu tinha e tenho muito admiração), em sua maioria tinham o gosto por minha amiga branca, na época eu não tinha uma posição política sobre o assunto, porém, já naquele momento percebia o quando era valorizada a estética branca, o que me fazia querer embranquecer meus traços negros, para que assim fosse igualmente fonte de cobiças, para que pudesse me sentir realmente bonita a adepta dos padrões.
Os anos se passaram, (já não me embranqueço, ao contrario, realço a beleza dos meus traços negros), e o que vejo hoje, são negros politicamente posicionados, mas, esteticamente aprisionados. Digo isso, por que acompanho cotidianamente,homens rendidos a padrões de beleza impostos, mesmo portando discursos que vão de encontro a essa teoria “embraquecedora”. O pelourinho em Salvador é um palco desse espetáculo burlesco, homens negros preparam-se como se fossem concorrer a um concurso de beleza, vão literalmente ao ataque das “gringas”,essas, vão para o pelourinho como se fosse para um açougue escolher um pedaço de carne, e nesse contexto muitos se tornam isso, um simples pedaço de carne, o interessante é que, nesses casos a estética exigida é apenas a cor da pele (branca), pode ser gorda, magra, alta, baixa, pouco importante, o importante é exibir o “troféu”, elas viram um símbolo de poder, infelizmente gerado através de um processo histórico.
Os homens negros preferem as brancas, os homens brancos preferem as brancas. E onde estão as mulheres negras? Estão trabalhando e cuidando dos filhos como mães solteiras, também, são amantes ridicularizadas pela sociedade , naquela velha história que se retroalimenta, caso-me com a Sinhá, porém, vou na senzala transar com a escrava quente . Não sou contra a relação inter-racial, porém, meus posicionamentos políticos diante de questões como essa, não me deixam enxergar superioridade em uma cor de pele. Se vejo o oposto como o bonito, o perfeito, eu estarei me negando!
MULHER PRETA NO PODER!
Saudações aquilombadas!
*Nega GIsa*

