sexta-feira, 11 de junho de 2010

A exaltação do descriminado : Quando convêm, é claro!

Estava eu, em uma dessas madrugadas em que fico na internet, quando uma amiga manda um link de uma reportagem, quando abrir o link vi mulheres negras enfileiradas, como num desfile de moda, todas lindíssimas. A chamada da matéria dizia: “Walter Rodrigues abre Fashion Rio com 25 modelos negras”, achei maravilhoso, a beleza negra é tão marginalizada, que colocar vinte e cinco modelos negras na passarela, é algo o mínimo inusitado, e de muita importância para a valorização da beleza negra. O problema foi que, quando li o subtítulo da matéria, entendi o porquê ele escolheu modelos negras, e o porquê, a matéria estava dando destaque às modelos negras, dizia assim: “A coleção de verão 2010/2011 da marca se inspirou na África e em sua influência no Brasil”. E achei tudo muito lamentável.
È claro que eu acho ótimo que mulheres negras desfilem, inclusive e principalmente se esse desfile é todo concebido por modelos negras. O problema é que, insistem nessa idéia separatista, para desfilar coleção inspirada na África modelos negras, para outras coleções, modelos branquíssimas de preferência, raramente se vê modelos negras. Grandes parte dos estilistas escolhem modelos apenas brancas em seus desfiles, isso é fato, inclusive ninguém estampa isso em matérias. A idéia de que não queremos um país separatista, é só para quando o discurso é contra as cotas? Essas situações cotidianas não são separatistas, discriminatórias, preconceituosas? Fica aqui o questionamento.
O texto ainda ressalta a falta de modelos negras nas agências: “A coleção de verão 2010/2011 da marca se inspirou na África e em sua influência no Brasil, da à escolha do estilista, que teve dificuldade para encontrar 25 modelos negras, já que é pequena a proporção em comparação com as modelos brancas nas agências”. Essa afirmação é no mínimo ingênua, o preconceito em aceitar modelos negras é tão grande que, quando surge um desfile como esse, onde se precisa de negros, a demanda não pode ser preenchida. Na verdade, eu achei essa 
 conversa um pouco contraditória, talvez a dificuldade fosse, em achar negros com traços europeus, enfim, isso é só uma suposição, não posso afirmar sem a certeza dos fatos.
O destaque que o negro tem muitas vezes nessa sociedade racista é esse, o objeto exótico. Quando é de interesse próprio valorizam-se os negros, se ganha dinheiro com algo que no cotidiano discrimina-se, o importante é lucrar. E eu me pergunto, e te pergunto qual o lugar do negro nessa sociedade preconceituosa? Será sempre o de subalterno? O exótico?
                                                               Foto: Fábio Motta

5 comentários:

Lorena Morais disse...

Negro só é África?
E a coleção VERÃO BRASIL é branca?

Sócrates Júnior (koka) disse...

Realmente é de se indignar com o exoticismo impregnado na moda e na mídia. Eu tenho um olhar sempre aberto pra beleza negra, acho os traços mais perfeitos que se pode observar, o desenho do rosto, o nariz, os cabelos. Não por ser "diferente" mas por ser assim. A moda agora é a Africa, aó cultua-se a negritude, e depois passa e vem o que, volta a beleza negra mais uma vez ao exotico e subalterno. Com certeza Gisa isso é foda.

Alguem louco disse...

Eu ate aceito ser exotico... Porém quando eu desejar... Temos alguns problema étnico imperativo nessa sociedade... Virá modinha sera uma forma metodologia de descredibilizar ou polarizar.... e nem tudo que é popular é valorado ou dado a atenção necessária... ainda tenho medo dessa lógica universalista, sem levar em conta as especificidades.... sei que. ser negro é lindo.. sei que é bom ter negros e negras na mídia... nos espaços de visibilidade... entretanto, necessito muito de compreender alguns fenômenos excludentes que vem se perpetuando independente e paralelo a essa catástrofe midiática... ate nossos vícios lingüísticos “ é claro”. Nossos olhares e aparte de algo.... o meu medo é que produz esse tal algo.

Axé!
Ismael silva

SUNDJ disse...

Ando refletindo algumas coisas Gisa, e acho que parte de nossas inquietações, partem de ausências..De lugares que estamos optando por não construir. Li seu artigo e me lembrei de uma preta que trampa com moda, a Jamile Sodré, ela tem uma marca chamada *Bettume*, ela é de nossa geração, nova e tá aih bancando seu projeto de maneira independente na moda. Os brancos nunca vão nos incluir, aliás o projeto de dominação deles foi justamente em cima da exploração,exclusão e apropriação de nossos corpos e mentes negros..Axo que a denúncia sobre a prática de violência dos brancos é válida, mas é tb salutar...
Precisamos nos buscar, nos garimpar, saber mesmo quais empresas, projetos de pretos tem sido construídos e buscar meios de articulação, no sentindo de constituir conglomerados politicos, econômicos, comerciais, evidenciar esses lugares nossos...Pq daih essas práticas, surtirão menos efeito, pq teremos uma contrapartida à altura. Então não precisaremos mais ver se os brancos colocam ou não modelos pretas, pq nós já estaremos colocando com qualidade e com perspectiva!

Abraço aquilombado, sempre.
Naiana Sundjata.

SUNDJ disse...

O link da marca:

http://bettume.blogspot.com/p/cultura-bettume.html

Dá uma olhada depois..O ateliê fica no engenho velho da federação, com agendamento de visita.

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