segunda-feira, 3 de maio de 2010

O mito das Relações inter-raciais...Uma ótica feminina!

Semana passada se construiu um debate que perpassou as salas de aulas na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, onde eu sou discente, e atingiu os corredores e áreas de convivências. O assunto ao qual eu me refiro, é a relação inter-racial, especificamente entre homens negro e mulheres brancas.
A discussão se iniciou, após a apresentação de um trabalho sobre a vida do lendário Malcon X, no decorrer da apresentação foi citado, o relacionamento amoroso de Malcon X com uma mulher branca, isso após ter sido casado com uma mulher negra, a qual esteve do seu lado durante muitos anos de militância. Quem apresentou o trabalho, foi uma mulher, militante das questões de raça e gênero, e ao tocar nessa questão fomentou um debate: a preferência dos homens negros ( mesmo os militantes das questões raciais), por mulheres brancas.
Essa preferência dos homens negros por mulheres brancas ( de preferência loira), é notadamente vista. Na minha adolescente eu me relacionava com uma amiga branca, eramos como irmãs, os homens negros, ( os quais eu tinha e tenho muito admiração), em sua maioria tinham o gosto por minha amiga branca, na época eu não tinha uma posição política sobre o assunto, porém, já naquele momento percebia o quando era valorizada a estética branca, o que me fazia querer embranquecer meus traços negros, para que assim fosse igualmente fonte de cobiças, para que pudesse me sentir realmente bonita a adepta dos padrões.
Os anos se passaram, (já não me embranqueço, ao contrario, realço a beleza dos meus traços negros), e o que vejo hoje, são negros politicamente posicionados, mas, esteticamente aprisionados. Digo isso, por que acompanho cotidianamente,homens rendidos a padrões de beleza impostos, mesmo portando discursos que vão de encontro a essa teoria “embraquecedora”. O pelourinho em Salvador é um palco desse espetáculo burlesco, homens negros preparam-se como se fossem concorrer a um concurso de beleza, vão literalmente ao ataque das “gringas”,essas, vão para o pelourinho como se fosse para um açougue escolher um pedaço de carne, e nesse contexto muitos se tornam isso, um simples pedaço de carne, o interessante é que, nesses casos a estética exigida é apenas a cor da pele (branca), pode ser gorda, magra, alta, baixa, pouco importante, o importante é exibir o “troféu”, elas viram um símbolo de poder, infelizmente gerado através de um processo histórico.
Os homens negros preferem as brancas, os homens brancos preferem as brancas. E onde estão as mulheres negras? Estão trabalhando e cuidando dos filhos como mães solteiras, também, são amantes ridicularizadas pela sociedade , naquela velha história que se retroalimenta, caso-me com a Sinhá, porém, vou na senzala transar com a escrava quente . Não sou contra a relação inter-racial, porém, meus posicionamentos políticos diante de questões como essa, não me deixam enxergar superioridade em uma cor de pele. Se vejo o oposto como o bonito, o perfeito, eu estarei me negando!
MULHER PRETA NO PODER!

Saudações aquilombadas!
*Nega GIsa*

8 comentários:

Unknown disse...

Parabéns pela postagem. Embora muitos homens negros defendam ideologias atinentes às questões de etnia negra, quando acabam de discursar (ou até mesmo de enriquecer financeiramente), precisam exibir os brancos ou loiros trófeus e "tentar enfraquecer" suas ações de "valorize a cultura negra". Que política essa de "ele falou, mas na hora H, foi contra suas ideologias"!
Nada contra ao tipo de relação. Mas que é clara a preferência, não há dúvidas.

Any

João Paulo disse...

Sou contra a relação inter-racial, isso de forma política e pratica, o que muitas vezes não estão interligados.

Depois que conheci a obra de Franz Fanon, essa questão abordada por você ficou mais evidente, entender o “necessidade” de ter um conjugue etnicamente oposto a você pode proporcionar uma inserção social, prestigio e ao mesmo tempo massacrar toda uma cultura. Enfim... Estou fazendo um trabalho de cartografia e não posso decorrer mais a respeito, mas é algo que vivo na pele, sem falar nos meus amigos caçadores de gringa.


Fica a dica de Franz Fanon!

De Kaiala disse...

Estava penssando justamente nisso quando entrei no seu blog,assunto interessante.E os militantes que tem todoum discusso mas na hora...afunda o "discurso"...
Cláudia Kaiala?!

Rei Negro disse...

Bom, não posso dizer que isso não acontece, mas a recíproca é verdadeira.Passei durante muito tempo pela mesma situação que vc. Tinha amigos durante a adolescência no colégio que, se não eram brancos, pelo menos tinham a pela menos escura que a minha.
Pensei que o problema estivesse em mim, não me considerava bonito e queria ser mais parecido com eles.
Hoje, alguns anos e vários livros depois, consigo entender a razão disso. Assim como existem homens que gostam de "desfilar" com mulheres brancas, existem muitas mulheres que acham que se relacionar com um branco pode dar algum tipo de status ou estabilidade, mesmo sabendo como grande parte da sociedade percebe essa situação.

jorge cezar disse...

Em relação ao seu post, isso de preferência pelas brancas dos negões já foi muito falado. Acho que é o seguinte: pintou tesão? Se embola! Sejam eles brancos, azuis, amarelos...

Eu particularmente não gosto de preto. Mas adorooooro uma preta!

jorge cezar disse...

Adorei seu blog! Vou passar sempre por aqui, apesar de você nunca ter visitado o meu Kizomba rsrsrsrs

Unknown disse...

Lindo seu blog amei!

Anônimo disse...

Em um país que tem como sistema de dominação uma política intensa de mistura entre raças, a ação mais enérgica que um negro consciente pode ter é manter relacionamentos com pessoas de sua própria etnia.

Em um país como o Brasil, isso chega ser uma arma revolucionária contra a dominação racial. Pois, para preservação da nossa história, cultura, valores e legados é necessário preservarmos a integridade do nosso povo através da reconstituição... Reconstrução de famílias negras.

Sem desrespeitar os brancos ou qualquer outra etnia, é necessário que nós, afro-brasileiros, digamos NÃO à miscigenação racial.

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